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O Blog da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras

As últimas notícias sobre o Lar de Nossa Senhora da Misericórdia, Clínica Domus Misericordiae, ERPI, Creche, Jardim de Infância, CATL, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário

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Órgão histórico da igreja da Misericórdia de Torres Vedras: Um testemunho vivo da arte organística em Portugal

Restaurado em 2008 pelo mestre organeiro Dinarte Machado, o órgão histórico da igreja da Misericórdia de Torres Vedras apresenta características que nos indica ter sido construído pelo organeiro galego Bento Fontanes de Maqueira (Pontevedra, c.1745 - Lisboa, 1793).


A família Fontanes emigrou para Portugal por volta de 1750 e aqui permaneceu dedicando-se à organaria por mais três gerações. Bento é filho de João Fontanes de Maqueira, irmão de Joaquim António Peres Fontanes e pai de António Joaquim Fontanes.

Trata-se de um instrumento de grande valor histórico e artístico, que reflecte de uma forma muito evidente a riqueza e nobreza das celebrações celebradas nesse templo, em pleno século XVIII. O órgão da igreja da Misericórdia constitui, juntamente com os intrumentos da igreja de São Pedro e um pequeno instrumento localizado em Runa, o "trio" de órgãos de tubos do concelho de Torres Vedras. Contudo, só o primeiro se encontra operacional e em excelente estado de conservação.

Depois de mais de 200 anos "calado", chegou a altura de dar voz a este instrumento, assim como fazer ecoar os seus sons magníficos no seu habitat natural. Para esse efeito e com a máxima preocupação de sensibilizar o povo torriense para esta arte ainda pouco cultivada no concelho, a mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras tem incansavelmente promovido esta "jóia" através de concertos inseridos nas comemorações da Santa Casa ou no l Ciclo de Órgão de Torres Vedras, que decorreu desde Outubro do ano passado até Abril do ano corrente e consistiu na realização de um concerto mensal envolvendo sobretudo músicos torrienses.

Também as celebrações litúrgicas realizadas na igreja são vividas de uma forma mais solene e nobre, visto o instrumento acompanhar regularmente o culto. Sempre com um principal objectivo, sensibilizar os torrienses a olharem e a valorizarem esse património, a Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues juntou-se a ao movimento através da abertura do curso oficial de órgão de tubos, com inscrições abertas para o ano lectivo que se segue.

Dessa forma, estes e outros esforços nunca serão demais para manter este património vivo, contribuindo para a recuperação de uma tradição perdida em toda a região Oeste.

Escrito por:DANIEL OLIVEIRA
Diplomado em Musicologia pela Universidade Nova de Lisboa
Badaladas de 16 de Setembro

Igreja da Misericórdia de Torres Vedras

 

A igreja da Misericórdia construída entre 1681 e 1752, a sua porta principal encimada por aletas, que envolvem as armas reais, sofreu recentemente obras de restauro.


Igreja de uma só nave, apresenta à entrada o coro alto sustentado por colunas de fustes estriados, assentes em altos socos. As paredes são decoradas com telas e cilhares de azulejos do século XVII e o seu tecto de abóbada de berço contempla pinturas muito escurecidas com as armas de D. João V e o Brasão com a Comenda da Ordem de Cristo.


Ao entrarmos na sua capela-mor, decorada com mármores pretos, encontramos três altares com talha do século XVIII e frontais de couro pintado e lavrado do mesmo século.


No cruzeiro, dois grandes painéis de azulejos do século XVII que representam a "Deposição da Cruz" e Nossa Senhora da Misericórdia e uma teia de pau-preto, de colunelos torneados e sustentada por colunas de mármore. Dispõe de azulejos do século XVII, com motivos profanos.


Na sacristia, realce para a tela Visitação, (Josefa de Óbidos); um arcaz setecentista com pregarias em bronze da época, uma mesa de mármore com pé de balaustre sobre a qual se vê um baldaquino de talha dourada, de estilo "rocaille". O seu tecto, em abobada, é centrado e cantonado com peças em talha de madeira dourada.


Fonte:www.Geocaching.com

Igreja da Misericórdia

 

 

A Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras foi fundada a 26 de Julho de 1520 com os rendimentos das casas que a coroa possuía na vila e os bens de outras instituições de assistência existentes na vila (Hospital do Santo Espírito, Confraria das Ovelhas Pobres e Hospital de S. Gião - ou S. Julião, ou Confraria dos Sapateiros).

 

A sua fundação vem na sequência da necessidade sentida, desde os finais do século XV, em ordenar e unificar a assistência, que se iniciou quando D. João II lançou a primeira pedra do Hospital de Todos os Santos, reunindo para esse fim os rendimentos de vários estabelecimentos pios, obra continuada por sua mulher D. Leonor, quando, já viúva, fundou a Misericórdia de Lisboa em Agosto de 1498.

 

 

 

 

Sede antiga

Entrada pela porta grande com o brasão da instituição

Construída nas instalações do Hospital do Santo Espírito; aí se instalou o Hospital da Misericórdia, com duas salas para ambos os sexos e uma capela, com um rendimento de 6 moios de trigo, 3 de cevada, 36 almudes de vinho, 3 potes de azeite, 56 galinhas e frangos, um carneiro, 13.888 reis em dinheiro e 2 ovos, além de todas as sobras dos restantes Hospitais e Confrarias.

Estava ainda a Santa Casa autorizada a ter Mamposteiros ou arrecadador de esmolas em todas as freguesias.

Em 1767 foi aí construída uma enfermaria de mulheres.

Autorizou-se, em 1795, a criação de uma "botica" no hospital, só concretizada em 1814.

O edifício foi acrescentado em 1796 com a compra de uma casa nobre a sul, alargando as enfermarias para quatro.

O Hospital funcionou aí até à inauguração do Novo Hospital da Misericórdia, no local do actual Hospital Distrital, em 18 de Julho de 1943, com a presença do então Presidente da república Óscar Carmona.

Nesse edifício estiveram instalados o Museu Municipal e a Biblioteca Municipal de 1944 a 1989.

Igreja

A sua construção teve início a 19 de Maio de 1681, concluindo-se em 1710, ano em que foi benzida em acto solene, realizado a 6 de Setembro desse ano, presidido pelo Bispo de Tagaste, o torriense D. Manuel da Silva Francês.

Entra-se pelo adro que serviu de cemitério, antes de a Santa Casa ter cemitério pegado para norte, e talvez para poente. O Pórtico tem as armas reais do século XVII, e a porta é datada de 1718.

A igreja é de uma nave coberta por abóbada de berço, onde estão pintadas as armas reais, com a cruz da ordem de Cristo (típico do século XVIII).

Algumas características:

- O uso de madeiras exóticas no coro alto, no cadeiral da mesa da irmandade e na porta (teia de pau preto).

- Uso de mármores de vários tipos, típicos do século XVII.

Azulejos

- No cruzeiro, lado sul - Pietá (deposição da cruz), lado norte – Nº. Sr.ª. da Misericórdia;

- No corredor: painel de Azulejos do século XVII, com motivos profanos (painéis compósitos, cenas da vida campestre, pastoril, marítima, palaciana e ambientes e paisagens chinesas, persas, indianas, árabes, à mistura com florestas, ruínas, rios, prados e rebanhos)

Altar-mor

- Ladeado à esquerda (lado do Evangelho) pelo altar do crucifixo (tendo por baixo uma imagem em barro do Senhor Morto, do século XVI), e; à direita (lado da Epístola), pelo altar de Stº. António, com imagem de barro; no retábulo do altar-mor existe uma monumental peça de talha dourada; no centro uma imagem de Nª. Senhora da Misericórdia com o menino (seiscentista).

"Á mão direita da Senhora da Misericórdia, no seu altar de talha dourada, existe um pequeno esconderijo; ali escaparam, como protegidos pelo seu manto piedoso, às prisões de 22 de Dezembro" (de 1846) "alguns patuleias, torrienses de então" (Salinas Calado).

A talha dos três altares é provavelmente do século XVIII.

Um azulejo representando a Nº. Sr.ª da Misericórdia

Vestíbulo

- Por detrás do altar-mor, com azulejos do século XVII, com motivos profanos.

Sacristia

Construída em 1752, por ordem do provedor Nuno da Silva Teles (Tarouca e Alegrete).

Existe um arcaz com pano de fundo e trabalho setecentista em madeira exótica (pau santo), e com uma placa em talha dourada com o Brasão dos Taroucas (da Quinta das Lapas), formado pelo Leão rompante dos Silvas e o Ouro puro dos Menezes.

Nela existe uma tela da "Visitação" e outras telas do século XVIII e bandeira da irmandade no coro alto, atribuída a Josefa d'Òbidos.

Azulejo dos finais do século XVII, princípio do século XVIII com cenas profanas, obra atribuída a Nicolau de Freitas, datados de 1752.

Interessante lavatório em mármore.